Com 13 feminicídios por dia, o Brasil é o quinto país com mais casos de crimes contra mulheres no mundo. Em Santarém não é diferente. A cidade recebe inúmeras denúncias diariamente e, apesar da pouca estrutura para lidar com os casos, tem conseguido proteger e acolher as vítimas. 

Por Hellen Joplin

Uma rede de proteção e acolhimento tem dado apoio às meninas e mulheres que sofrem de violência doméstica e abuso sexual em Santarém. O centro de referência Maria do Pará oferece apoio psicológico, social e jurídico, além de outros serviços de proteção, como abrigo sigiloso se houver necessidade. O programa tem encorajado meninas e mulheres a buscarem ajuda quando precisam, sem medo.  Funcionárias da Delegacia de Defesa da Mulher, do Disque Denúncia 180 e do Centro Maria do Pará estão lá para isso.

Sabe-se que nem a metade das vítimas pede socorro, por medo, vergonha, sentimento de culpa, por sofrerem ameaças ou até mesmo por se tratarem de crianças e adolescentes. Mesmo assim, a Promotora de Justiça de Violência Doméstica, Dra. Luziana Barata Dantas, do Ministério Público Estadual, conta que, pouco a pouco, as santarenas estão vendo que são realmente defendidas:

“Hoje lideramos o ranking em combate a violência contra mulher no Pará. Não creio que o percentual de atos de violência seja tão diferente em outras cidades, mas os números oficiais referente as denúncias são maiores em Santarém em razão do trabalho da rede para incentivar a denúncia

“Violência contra mulher também é problema seu. Ligue 180”

Os casos mais comuns de violência contra mulher são de violência física, acompanhada de violência psicológica e verbal, além de abuso sexual. Essas agressões normalmente acontecem dentro de casa, por parceiros ou ex-parceiros, mas também podem acontecer em lugares públicos.

“O agressor antes de deferir um tapa ou um chute, já ofendeu, humilhou e ameaçou a vítima. Essa é uma triste realidade, fruto de uma sociedade patriarcal e fundada nas lógicas machistas.”

O que fazer?

O primeiro passo após enfrentar uma situação de violência é registrar a queixa de agressão:

  • Fazer imediatamente uma ligação gratuita para número 180, que funciona 24 horas por dia. Por telefone, uma funcionária preparada atenderá a vítima e saberá como encaminhar a denúncia aos órgãos competentes de cada cidade.
  • O próximo passo é ir até a Delegacia de Defesa da Mulher, que funciona somente de segunda a sexta-feira em Santarém. Essa é a porta de entrada para uma investigação.

Quando há lesões, é necessário realizar o exame de corpo de delito. Se o caso for de violência sexual, a menina ou mulher tem direito à assistência integrada na rede de saúde pública. Lá ela terá acesso a tratamento contraceptivo de emergência para evitar gravidez indesejada e medicação preventiva contra HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

A Lei Maria da Penha tem aumentado a agilidade e as punições dos agressores.

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Categories: Mulher Saúde

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Chega de violência doméstica

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