Em região dominada pela soja e agronegócio, 75 mulheres trabalhadoras rurais aliam demandas produtivas e agroecológicas às pautas feministas e criam a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra (Amabela) 

POR BOB BARBOSA, via Brasil de Fato

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Belterra de muitos contrastes

Quem chega a Belterra, município de 17 mil habitantes no oeste do Pará, logo percebe que se trata de um lugar com muitos contrastes. Metade do seu território faz parte da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, uma Unidade de Conservação (UC), com 25 comunidades tradicionais, onde vivem 5 mil pessoas, entre indígenas e ribeirinhos. Na outra metade do município, o que domina a paisagem são as lavouras de soja. O ar que se respira ali vem sendo constantemente afetado pelas pulverizações aéreas de agrotóxicos. No meio desse cenário, está o pequeno e bucólico centro de Belterra.

Uma inusitada sequência de casas tipicamente norte-americanas, sem muros ou cercas, compõem a principal rua da cidade. As casas, assim como hidrantes e caixas d’água de metal espalhadas pela cidade, foram construídas pelo empreendimento estadunidense que se instalou na região para explorar látex, na década de 1930.

Foto: Bob Barbosa/Brasil de Fato

O desejo de Henry Ford em transformar Belterra numa próspera exportadora de borracha, porém, não vingou. Menos de dez anos depois, a empreitada na Amazônia virava ruína. Sequer deu tempo de Ford conhecer a “sua bela terra”.

A maioria dos trabalhadores e trabalhadoras rurais da agricultura familiar de Belterra descendem de imigrantes nordestinos que vieram para trabalhar como mão de obra no sonho americano da borracha.

Somente décadas depois, na virada dos anos 2000, apareceram em Belterra os produtores de soja, vindos do sul. Diferentemente da borracha, a soja é atualmente um rentável produto de exportação, garantindo lucro aos proprietários dessas lavouras.

Nesse processo, grande parte dos agricultores familiares foram vendendo seus lotes e passaram a morar em terrenos menores, próximos ou até dentro da área urbana de Belterra. No entanto, eles mantiveram o hábito de cultivar roçados e de criar pequenos animais. Outros seguiram nas suas terras, cercados pelas propriedades de soja. Seus roçados, contudo, ficaram vulneráveis aos efeitos dos agrotóxicos que são sistematicamente aplicados na vizinhança.

Dentro desse contexto, de contrastes sociais, econômicos e ambientais é que surge, em 2015, uma organização composta exclusivamente por mulheres da agricultura familiar: a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra, ou simplesmente Amabela, que conta hoje com 75 agricultoras.

Associação começou a partir de edital

Foto Bob Barbosa | Brasil de Fato

Como lembra a agricultora Selma Ferreira, a história do surgimento da Amabela passa pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Belterra, o STTRB. Na ocasião, em 2013, Ferreira era secretária de finanças do sindicato (ainda é) e recebeu como missão encaminhar a participação das mulheres em um edital aberto pela Fase Amazônia, via Fundo Dema – criado em 2003 para apoiar projetos coletivos de valorização socioambiental organizados por indígenas, quilombolas, comunidades extrativistas, ribeirinhas e da agricultura familiar.

Bob Barbosa | Brasil de Fato

O edital apoiava pequenos projetos elaborados necessariamente por mulheres no Baixo Amazonas, região que compreende vários municípios do oeste e noroeste do Pará. Por meio de um processo construído coletivamente entre a Fase e as mulheres, não só com as de Belterra, mas também de outros municípios, como Santarém, Oriximiná e Terra Santa, surgiu o Fundo Autônomo de Mulheres Rurais da Amazônia Luzia Dorothy do Espírito Santo.

Bob Barbosa | Brasil de Fato

Para acessar o fundo, nesse primeiro edital, muitos dos projetos inscritos tinham como objetivo criar associações de mulheres. Sara Pereira, educadora popular da Fase Amazônia, explica que as mulheres “queriam ter uma organização que tivesse estatuto, que tivesse uma questão contábil estruturada, para poder depois acessar outros recursos, em outros editais, em outros projetos”.

Bob Barbosa | Brasil de Fato

Em Belterra, Ferreira visitou as mulheres agricultoras, nas comunidades locais, preparando com elas a organização da futura associação. Para cumprir as exigências do edital, a Casa Familiar Rural de Belterra ofereceu o CNPJ e assim elas conseguiram acessar o fundo. Em 16 de maio de 2015, na sede do sindicato, foi oficializada a criação da associação e eleita a primeira diretoria da Amabela.

Bob Barbosa | Brasil de Fato

Entre as fundadoras estava Maria Irlanda de Almeida, que tem uma história de lutas dentro do sindicato e que, na Amabela, é uma das agricultoras mais atuantes hoje. “A associação está com dois anos, nós já temos o nosso próprio CNPJ, direitinho. Temos projetos que já acessamos, como o projeto dos pintos e a criação de galinha caipira integrada à horticultura. Já começamos a receber os nossos pintinhos. Nesse projeto são 21 mulheres, e cada uma recebe 50 pintinhos para que a gente possa dar o ponta pé inicial na criação dessas galinhas caipiras”.

Agricultoras do Pará investem em agroecologia em região dominada pelo veneno

A presidenta da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra, a agricultora Vera Nunes, conta que “as crianças já não podem estudar tranquilamente na sala de aula, porque tem escola que a soja tomou conta em volta. Os professores e os alunos se sentem mal. Os sojeiros usam maquinário para pulverizar [o agrotóxico]. Muitos usam aquele aviãozinho que joga veneno por cima. É um cheiro muito forte. Mesmo que o trabalhador rural plante sem o agrotóxico, ele é atingido porque está muito próximo das lavouras de soja”.

Sobre a proximidade com as lavouras de soja ou de milho, a agricultora Maria José Carneiro, conhecida como Mazé, relata:

A gente tinha aqui dez caixas de abelhas, tinha de jandaíra, canudo e jataí. Vendia muito mel. Elas produziam bastante até o dia em que começaram a inventar esse negócio de colocar veneno. Aí começaram a morrer minhas abelhas e perdi tudo. Como as abelhas saem para pegar néctar, elas já vêm contaminadas quando chegam de volta na caixa, e aí perde a caixa toda. É muito triste você abrir a caixa e ver as bichinhas tudo morta.”

Apontando para uma árvore no quintal, Mazé completa: “A gente trabalha com agroecologia porque esse veneno mata mesmo. Quando eles começam a passar veneno lá, na plantação deles, na soja, no milho, o vento traz e vai queimando. Esse galhos queimados ali é tudo veneno.” Ainda assim, com todas essas adversidades, Selma acredita que “o nosso maior desafio é mostrar para Belterra que existe capacidade de trabalhar dentro dos quintais produtivos, sem agrotóxicos, com uma alimentação saudável, para alimentar nossas famílias e os nossos consumidores.

Bob Barbosa | Brasil de Fato

Diversidade

As mulheres da Amabela investem na variedade de produções. Mazé conta como:

“Eu produzo doce de cupú, de manga, caju, muruci, beiju de mandioca, todas as espécies de beiju, salgados também. Faço artesanato, licor, de cada coisa eu faço um pouco. Vendo também as polpas de frutas, plantas ornamentais, medicinais.” – conta Mazé.

Lindalva Castro também segue essa linha:

“Eu produzo galinha caipira, faço cachaça de jambú, licor doce e também tenho um pouco de roça. Vendo ovo, vendo pinto, e isso traz um pouco de renda. E, para complementar, faço artesanato, tapetes, licores, doces, que trazem um renda de mais ou menos R$ 600 por mês”.

Ela conta que, em sua casa, vivem cinco pessoas: o marido, que trabalha na escola; duas filhas, de 22 e 16 anos; e um neto de um ano e seis meses.

“Da minha produção, eu consumo ou dou mamão, macaxeira, cupuaçu, abacate… A gente consome e também dá para os vizinhos, para os amigos que chegam. Eu vendo a galinha e compro peixe, compro carne”, conta Lindalva.

foto: Bob Barbosa | Brasil de Fato

Essa diversidade se reflete também no perfil das agricultoras dos sete distritos do município de Belterra.

“É uma delícia trabalhar com cada mulher, com cada quintal, com as filha delas, com as pequenas, com as maiores. Nós somos um grande conjunto de variedades de cores, de raças, de tudo. Tem as indígenas, as negras, as brancas”, enumera Selma.

“Quintais produtivos”

Nesses “quintais produtivos”, como elas chamam os vicejantes espaços que ficam no fundo das suas casas, elas praticam os princípios da agroecologia.  Mas nem sempre foi assim. Maria Irlanda lembra que, antes, não conhecia a defesa pelo meio ambiente.

“Hoje, por exemplo, eu sou contra a queimada, contra o agrotóxico. Eu não tinha esse entendimento, mas, a partir do momento em que comecei a participar dos movimentos sociais, comecei a defender o meio ambiente”.

Isso se reflete em suas práticas, que incluem produzir o adubo natural e plantar a roça sem queima:

“Para mim, a agroecologia é de fundamental importância para o nosso trabalho de agricultora familiar. Eu produzo o adubo natural, aquele adubo que a gente faz nos nossos quintais, e depois coloco nos canteiros, nas plantas, na horta.”

E as formigas, que na Amazônia reinam soberanas? Lindalva dá a dica:

“Para espantar a saúva das nossa roças, nós colocamos água, álcool e saúva em infusão por sete dias. Depois, distribuímos num litro com mais água e colocamos [o líquido] no sauveiro. Elas vão embora, abandonam a casa. Elas são iguais aos seres humanos: não comem a própria carne. Então, elas vão embora e, assim, deixam as nossas plantas livres”, explica.

Foto: Bob Barbosa/Brasil de Fato

Assim como Maria Irlanda e Lindalva, a agricultora Sandra da Silva conta que, depois que entrou para a Amabela, também mudou a percepção sobre o seu trabalho:

“Eu nasci em uma família de agricultores. A gente ajudava os pais em casa, mas eu não gostava, na verdade. Eu sempre gostei de criar animais, apesar de eu não gostar muito de trabalhar em roça. Gostava de criar galinhas, essas coisas. Aí foi que nós começamos a plantar mandioca, macaxeira, e aí eu já passei a gostar. Por mais que a gente não venda, pode servir de alimento. Sempre tem alguém que precisa. Às vezes vão lá em casa comprar macaxeira e eu vendo. Outros vão pedir; aí eu dou”, conta.

Vou pegando, vou plantando

O projeto dos pintos e a criação de galinha caipira integrada à horticultura é outra atividade da Amabela. Nele, cada uma das 21 mulheres que o compõe recebe 50 pintinhos para dar o ponta pé inicial na criação das galinhas caipiras.

Sandra, que mora e cultiva seu lote próximo da área urbana, está entre as “amabelas” que criam galinhas:

“Como eu gosto de criar galinha, achei muito interessante essa história de criar pintinhos. Eu e meu marido aumentamos o galinheiro, fizemos todo o esquema onde ficam os pintinhos. Acho tão bonito quando eles estão pequeninhos… Mas vão crescer e [a criação] vai ser rentável.”

A criação de galinhas e patos já era uma prática muito comum entre os trabalhadores e trabalhadoras rurais de Belterra, mas o surgimento da Amabela propiciou novas parcerias e capacitações, como ressalta Maria Irlanda de Almeida:

“É uma oportunidade de termos a capacitação pelo veterinário da Adepará [Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará], que é nosso parceiro também, assim como a Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará) e a Fase, que contribuiu muito com a gente. Sozinhas a gente não vai a lugar nenhum, mas com as parcerias a gente vai longe”, comemorou Maria.

Comércio de produtos agroecológicos empodera mulheres no interior do Pará

A venda de frutas, legumes e outros significa também a possibilidade de viajar, conhecer pessoas e ampliar horizontes.

“Aqui no centro, a minha área é pequena: um terreno de 15 metros de frente por 100 metros de fundo. Eu desenvolvo nessa propriedade vários plantios. Tudo que eu vou pegando, vou plantando. Eu tenho maracujá, cupu [é o mesmo que cupuaçu], açaí, pupunha, banana, enfim, uma variedade de frutas no meu quintal, além da criação de galinhas. Lá no lote do interior, a gente planta arroz, milho, banana, macaxeira, maniva, a produção de mandioca né. Lá eu tiro também cupu e café. São poucas coisas que eu consumo do comércio. A minha produção primeiramente é para a minha mesa, depois para a do vizinho. Primeiro para a minha alimentação, O excedente a gente tira para vender, para comprar algo que a gente precisa.”

Maria Irlanda de Almeida, 56 anos, que é da comunidade de Tauari, na Flona Tapajós, tem um lote de 100 hectares no interior de Belterra, para os lados da BR-163. Ela também tem uma pequena propriedade na área urbana e faz parte da Amabela, a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra, no interior do Pará.

Um dos desafios das trabalhadoras rurais da Amabela, desde o início, é dar vazão ao excedente da produção, garantindo a comercialização do que elas produzem.

A agricultora Selma Ferreira, avalia que “a maioria das nossas mulheres trabalha dentro da cidade de Belterra e a ideia dos quintais produtivos são voltados para elas, que são rurais e urbanas ao mesmo tempo. Elas plantam dentro dos seus quintais, fazem a divisão, o canteiro, plantam frutas, fazem o galinheiro, de tudo um pouco. De dentro desse quintal produtivo elas tiram o seu próprio alimento.”

Mas, segundo Selma, elas também doam, trocam com as vizinhas e vendem para arrecadar um pouco de renda para a família. Assim, as mulheres levam os produtos para comercialização nas feiras e vendem também em suas casas.

“Hoje a gente tem um local, o ‘Cantinho da Amabela’, que fica no Centro Turístico de Belterra, ao lado da prefeitura. Lá, a gente vende nossos artesanatos, nossas plantas, nossas frutas, nossas sementes, nosso alimento, nossos sabores.”

Todas as quintas, por exemplo, elas se deslocam 51 quilômetros até Santarém para participar da Feira da Agricultura Familiar da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), onde se expõe, além dos produtos da Amabela, também a produção agrícola e extrativista, in natura e beneficiada, de Santarém e Mojuí dos Campos.

“Para a feira na Ufopa a gente leva de tudo: biscoito, licor, galinha caipira, ovo, beiju, pé de moleque, bolo, tudo que a gente consegue fazer na agricultura familiar. O que a gente produz a gente leva. Para a feira vamos com um grupo de oito mulheres da Amabela. Saímos daqui de Belterra às 5h da manhã numa van e chegamos em Santarém às 6h30 da manhã. Quando chegamos lá a gente põe nossas coisas num carrinho de mão e empurra até a Ufopa para serem comercializadas. Essa é a parte mais difícil”, diz Lindalva Castro.

Maria Irlanda reforça que “através da Amabela a gente já teve várias oportunidades em relação a venda, de expor a nossa produção em vários lugares. Aqui no CAT (Centro de Atendimento ao Turista), por exemplo, nós temos essa oportunidade dada pela prefeitura de Belterra. A gente veio para esse espaço e trouxemos a nossa produção. Com a Amabela, também, a gente participa dos cursos, dos treinamentos, das capacitações que surgem”.

Para Mazé, “a diferença que a Amabela faz é a oportunidade que eu tive, de sair para expor meus produtos noutro canto. Antes eu não tinha para onde correr, expor meus produtos, agora a gente tem, já fomos até para Alter do Chão para expor.”

Sandra da Silva, a agricultora que voltou a gostar de agricultura após fazer parte da Associação, ressalta a importância das capacitações.

“Já fiz alguns cursos pela Amabela: plantas medicinais, manejo de galinhas caipiras, como a gente deve plantar as hortaliças, de sandálias de borracha, achei muito bom e ainda tem outros que eu estou esperando para a gente melhorar mais nossa capacidade de crescer.”

Com apoio da Casa Familiar Rural, a Amabela realiza também a exposição “Sementes, Sabores e Saberes”, em que as agricultoras compartilham sementes crioulas, divulgando a importância de se trabalhar com elas. Outro apoio importante vem da prefeitura, que cede o espaço do Centro de Atendimento ao Turista, para que elas tenham um local permanente para a venda dos produtos.

Mas por que ter uma associação só de mulheres agricultoras?

Acompanhando a Amabela desde a sua concepção, Sara Pereira, educadora popular da Fase Amazônia, recorda que “nos programas de formação com elas, a gente percebeu – e elas também – que existem muitas demandas são específicas das mulheres e que, pela dimensão do sindicato, elas acabam não sendo contempladas. Porque a associação de mulheres agricultoras não discute apenas o aspecto produtivo, que é importante e fundamental, mas trata de questões do feminismo, sobre qual a importância de se organizar enquanto mulheres, das pautas que são específicas delas, das questões relacionadas ao acesso à saúde, aos direitos previdenciários. E também as questões relacionadas aos relacionamentos, não só relacionamento familiar com os filhos, mas também com o companheiro, com o esposo.

Selma confirma essa avaliação, ao lembrar que nas famílias tem muita resistência, por exemplo, dos homens.

“Há maridos que compreendem e até ajudam a associação, mas tem outros que privam elas. A Amabela veio para que essas mulheres tenham autonomia. E os homens não estavam acostumados a isso, não tinham esse costume. A mulher deles era para ficar só dentro de casa, lavar louça, limpar a casa, cuidar de filhos. Cama, mesa e banho. E hoje, não. Hoje as mulheres saem da porta para fora, e essa é a maior dificuldade. Tem muitas que ainda não tem essa força de enfrentar. Os filhos homens também reclamam muito: ‘a mamãe não para mais em casa, isso não está certo, papai, tem que fazer a mamãe ficar dentro de casa, mesmo’. Então isso cria uma dificuldade muito grande para as mulheres.”

Sandra concorda:

“Para mim, a Amabela representa a nossa liberdade, a gente poder fazer aquilo que a gente acha que deve fazer, porque ainda tem muitas mulheres presas naquilo que só diz respeito ao marido.”

Nesse sentido, Sara salienta que “quando elas se organizaram na Amabela, perceberam que podiam ir para além do aspecto produtivo”. Isso porque a associação é uma ferramenta onde elas se solidarizam umas com as outras, “porque elas compartilham as histórias e uma ajuda a outra, não só na produção, mas com relação aos problemas familiares, no cotidiano, na luta”.

As reuniões da associação proporcionam também um ambiente de reflexões e questionamentos. Selma conta que “a gente senta dentro da roda de conversas e tem umas que não querem contar o que está acontecendo.

“‘Ah, a fulana hoje não apareceu no nosso encontro, o que está acontecendo?’. Aí, aquela que sabe já conta, e nós vamos tentando resolver. A gente não tem um estudo ou a capacidade de fazer com se quebre algumas barreiras, mas muita coisa a gente consegue resolver dentro da roda de conversa”.

Como afirma Sara, “a Amabela é muito mais do que uma ferramenta do ponto de vista produtivo. É uma ferramenta de libertação para essas mulheres, na busca pela sua autonomia, pelo seu empoderamento, pela sua participação política na sociedade”. Ou como diz Selma, ao falar das companheiras da Amabela:

“Quando eu lembro os olhinhos, os sorrisos, a alegria de cada uma em poder mostrar que sabem fazer… Só de elas dizerem ‘eu sei’, ‘eu posso’, ‘hoje eu consigo’… É maravilhoso!”

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Categories: Agroecologia Mulher

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