Por Sérgio Nobre

A caminho da nossa vizinha Venezuela, encontramos um povo pobre e sofrido, fruto da política externa norte americana. Desde de Manaus, na rodoviária, já nos deparamos com o cenário triste em que os seres humanos estão submetidos, são crianças descalças brincando na lama do estacionamento e suas mães apitando para os carros em busca de umas moedas, ou deitadas dentro de barracas de camping usadas como moradia, os homens buscando trabalho com placas “sou venezuelano | procuro trabalho”. Em Boa Vista, nos pontos de ônibus climatizados e com wifi, os nossos vizinhos ficam na fila pedindo ajuda ou bebendo cachaça e olhando a rua. Em Pacaraima, a forma de ganhar dinheiro entre eles é o câmbio de real, dólar e soberanos: um real vale 450 soberanos e um dólar vale 3000 soberanos.

A linha do equador

Na estrada, já dentro do território venezuelano encontramos muita gente querendo chegar na fronteira do Brasil, mas sem dinheiro para isso. Há comida para vender, não existe dinheiro para comprar. Tudo é negociado através de cartão de débito que eles chamam de PUNTO. São várias lojas fechadas, inclusive postos da PDVSA sem combustíveis. Encontra-se ofertas de emprego, mas o salário é de apenas 18000 soberanos, o preço de dois almoços.

Lembrei de uma música

Podemos criar várias leituras desses espaços, que estão cristalizados como reflexo do cenário político econômico imposto pelos americanos contra esta nação tão rica em petróleo e tão bela em natureza. Soma-se a esse capítulo o nosso país, Brasil, dando apoio à imposição americana e ao mesmo tempo transferindo mais problemas sociais para nossa sociedade. O Brasil não deve criar guerras com o vizinho. Deve acolher.

Os Estados Unidos não estão preocupados com a vida dos venezuelanos. A motivação é outra: Maduro tem a chave do cofre e Trump quer roubar.


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Categories: Certas palavras

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