Por Aloyana Lemos

No fim de semana entre 19 e 21 de julho, aconteceu em Alter a segunda edição do projeto Cultura e Arte para a Juventude/CAJU! Foram 3 dias de imersão para 19 adolescentes e jovens de baixa renda de Alter do Chão e redondezas, com apoio de monitores voluntários e instituições parceiras.

SEXTA| 19/07 – A consciência

A imersão começou na sexta às 8h, com a apresentação de cada participante, seguida de roda de conversa para estabelecer acordos de convivência. A partir daí, decidiram juntos a organização de equipes responsáveis por atividades básicas no fim de semana.

Teatro

Na sequência, uma apresentação sobre os Direitos das crianças e Jovens foi a base para a criação de jogos teatrais. Grupos para encenarem um ambiente de tribunal com direito a todos os cargos: juízes, advogados, testemunhas, promotores, assistentes, réus e genitores. Foram elaborados 2 casos: um de embriagues ao volante com óbito e outro de menor infrator apreendido com drogas. Com 30 minutos para pesquisas e ensaios, cada grupo, encenou de maneira super coerente seu papel.

“Foram revelados muitos talentos, mostraram que tem força e garra, que querem aprender”

Djalma Moreia Lima – Palhaço e agente de saúde da comunidade de Suruaca

Bioconstrução

O coletivo LowConstrutores Descalzos trabalharam dois métodos com os jovens:
– a construção do teto de palha e
– o revestimento ao forno de barro.

Os jovens tiraram o projeto do mundo das ideias e colocaram a mão na massa. Aprenderam com os orientadores as formas de causar o mínimo impacto na natureza, usando recursos renováveis e elevando a consciência ambiental.

Filme

A sexta-feira se encerrou com cinema e debate, todos assistiram juntos “Castelo Ratimbum – O Filme”. A narrativa fala sobre relações sociais e do poder e conexão que toda criança tem com o universo, e que muitas vezes é “escondido” ou pouco estimulado. Um filme de fantasia que traz a tona o simples dom que todos temos de manifestar aquilo que sonhamos.

SÁBADO| 21/07 – A vida

Capoeira

Depois do café da manhã, os participantes tiveram aula de capoeira angola com o Professor Pará, do Grupo de Capoeira Angola (GCANG), no Albergue da Floresta, localizado no bairro Lago Verde de Alter do Chão. Neste momento, aprenderam um pouco de história da capoeira angola trazida da África pelas pessoas que foram escravizadas na época, movimentos corporais e músicas.

O jovem Bruno, quilombola do Rio Trombetas, apoiado pelo professor Pará, participou enquanto membro do Grupo de Capoeira. Ele afirma que foi muito bom fazer novos amigos e que a capoeira é muito importante para a vida dele.

“ A capoeira disciplina o ser humano, organiza, deixa a pessoa mais leve e mais consciente. É uma ferramenta de construção pro jovem e pra criança.”

professor Pará

Oficina de artesanato

Manuela Yael, monitora e coordenadora voluntária do projeto, deu oficina de artesanato no fim do dia. As pulseiras confeccionadas foram para presentear quem estava ali presente, trabalhando a grande lei universal de dar e receber. Jogos de tabuleiros também foram instrumentos de diversão e aprendizados da garotada, jogo de vocabulário, jogo da memória, jogo de velocidade e raciocínio, etc.

Fazendo pizza!

Considerado um dos grandes momentos pelos próprios jovens da primeira edição do CAJU, à noite foram para a cozinha. Lá, os jovens que já haviam participado do encontro no mês de junho, ensinaram aos novatos a fazerem pizzas. E a noite foi de muita pizza, com fogueira e música. Os músicos voluntários foram Clara, Dario e Mag.

Tocaram para vários gostos, em maioria as músicas brasileiras. Um momento épico dessa noite foi quando se formou um grande coral para cantar “Esperando na Janela” de Gilberto Gil. A empolgação foi tanta, que nesta mesma noite, os jovens resolveram criar o Hino do CAJU, cuja a letra podemos ler na foto. 

DOMINGO| 22/07 – A força de tudo

O domingo pós café da manhã se iniciou com oficina de Geometria Sagrada, uma ferramenta para expansão da consciência, um estudo sobre energia, sobre a formação da vida e crescimento da matéria.

Com essa oficina dada voluntariamente também pelo coletivo LowConstrutores Descalzos, os jovens adquirem possibilidades de usar a geometria para arte, dança, arquitetura e várias outras finalidades. A oficina foi dividia em 3 partes: desenho geométrico, dobraduras geométricas e por fim esculturas geométricas. 

“Foi um desafio pra mim pela variação de idades (de 11 a 19 anos), são diferentes formas de ensinar as crianças de 11 a 15 e 16 a 19. Mas foi ótimo, eu amei. Um dos meus objetivos é estar junto das crianças e jovens compartilhando todo meu conhecimento e minha arte.”

Thiago Antonioni Coutinho, monitor da oficina

Esportes: natação, slackline, futebol e volei

Para o próximo CAJU, a juventude se organizou e contou a Manuela (coordenadora), o que gostariam de trabalhar. Além de novas atividades como natação e slackline, pediram permissão para que eles próprios construam um campo de futebol e volei no espaço

“A atividade que eu mais me identifiquei foi o teatro com o Gabriel. Foi muito bom, discutimos as questões das drogas que é muito importante pra nós. Achei muito legal a conscientização dos monitores do projeto em relação a isso. Muito obrigada ao projeto CAJU, espero que avance cada vez mais.”

Natalie, jovem participante de 17 anos.

Que venham os próximos CAJUs !

***CAJU é realizado pelo Instituto Aquífero Alter do Chão, em parceria com o Projeto Saúde e Alegria, Permalter, Maloca Viva, Grupo de Capoeira Angola e pessoas físicas comuns dispostas a dar amor e construir um futuro próspero para todas e todos.

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